terça-feira, 29 de maio de 2012

TEMPOS DE INTERNATO ARAXÁ 1963

COCAR

MÁSCARA BAKAIRI

BONECO

PENEIRA

URSO DE PEDRA

IPÊ BRANCO

VELHA CASA CHAPADENSE

PIPA NA ÁRVORE

ÁRVORE DO CERRADO

IGREJA EM CHAPADA DOS GUIMARÃES

PEPALANTO

VEREDA

IPE BRANCO

quarta-feira, 23 de maio de 2012

3/3

De presente nunca quis nada./ Nada além de um olá como vai!/ de presente quis sempre dar o que quase nunca pude:/ as pessoas esperam que a gente / se entregue pra elas todos os dias sem exceção./ Cansei de renunciar à verdadeira identidade/ que carrego comigo há mais de meio século./ Não sou nada além de um velho rabugento/ que ainda teima em escrever para ninguém ler./ Sou o anônimo que andeja pelas ruas / distribuindo livros que as pessoas mais sábias jogam no lixo./ Sou o oposto de tudo que querem que eu seja:/ sou magro, careca, chato, ranzinza e feio./ Nem não sou mais o poeta que um dia/ no passado longínquo imaginei ser. / Hoje nem num sou o escrivinhador de livros admiráveis / que gostaria de ver as gentes lendo./ Abaixo a cabeça e sinto o cheiro do pó/ em que minha vida se transformou./ Daqui a instantes emplacarei ano novo/. Mas quem diz que velho faz aniversário? / Velho completa eras e eras./ E como a hera daninha/ que sobe pela minha alma cansada pelos fracassos múltiplos/ só sinto o coração se esquecer de bater/ e altivo segue seu solitário caminho apanhando da vida./ Daqui a instantes somarei mais um ano em minha era./ E ninguém chorará comigo a angústia de minha desesperança.