Quando líamos ou ouvíamos falar em aproximação com grupos indígenas isolados ou arredios logo nos vinha o pensamento de selvagens portando bordunas, tacapes, zarabatanas e arcos e flechas. Tínhamos a ideia preconcebida de que eles deveriam ser “domados” para que a Marcha para o Oeste se concretizasse.
De um lado, diversas etnias que lutavam pela sobrevivência nas terras ancestralmente suas. De outro, o Governo Federal que temia a invasão de grande parte do território nacional caso não se procedesse a sua imediata ocupação. Somado a isso vinha a propalada necessidade de produzir alimentos, fato gerador dos mais escabrosos casos de genocídio dos tempos modernos da história brasileira.
Thomaz de Aquino Lisbôa, o Jaúka, em seu Enawenê-Nawê – primeiros contatos, com linguajar simples, acessível a qualquer de nós, relata o primeiro encontro com os Salumã. Na verdade Salumã era o nome de um índio e não o nome que aquele povo se autodenominava. Somente tempos depois foi que conseguiram desvendar o mistério e descobrir que aquele grupo de índios era Enawenê-Nawê.
A atração não foi simples, apesar de amistosos, o Enawenê-Nawê era um povo desconfiado. Os membros daquela etnia adoravam os objetos do homem branco e não faziam cerimônia. Quando a equipe de Thomaz de Aquino aportava em local que permitisse o pernoite, logo surgiam alguns indígenas, que imediatamente vasculhavam o barco e apanhava tudo que lhes parecesse interessante. Levavam facas, facões, anzóis, machados, chapéus e até roupas.
Thomaz de Aquino Lisbôa soube, com perseverança e habilidade esperar o momento exato para mostrar àquele povo que, ele e seus companheiros eram de paz. E foram muitas idas e vindas até que se estabelecesse um elo de confiança entre as partes. Parece-me que esse elo jamais foi quebrado.
O livro Enawenê-Nawê, primeiros contatos, ou relato de campo vem nos mostrar que aproximação do homem branco com os diversos grupos étnicos poderia ter sido menos traumática.
Aquino teve a sensibilidade de não deixar nenhum companheiro com sintomas de gripe manter contato com os indígenas, recolhendo as vasilhas que bebiam água, chicha e comiam, evitando uma contaminação, que por certo, dizimaria toda a etnia.
A exemplo do que já ocorrera no Paraná, em Mato Grosso, as frentes pioneiras assassinaram quase todos os Beiço-de-Pau, misturando arsênico com açúcar, deixando como presente, em locais frequentados pelos índios. Assim foram tratados pelo branco colonizador os verdadeiros donos das terras brasilis.
Aos poucos os povos indígenas foram sendo expulsos do habitat natural. E, “tirar-lhes o espaço é destruí-los como povos.”
Por incrível que pareça o contato se deu quase que pacificamente, exceção feita quando, em quatro de setembro de 1984, mataram o topógrafo João Batista dos Santos e seu auxiliar Osvaldo Vargas e feriram gravemente Nerino Rodrigues de Camargo e Manoel Oliveira Costa e Silva.
Enawenê-Nawê, primeiros contatos, publicado pela Carlini & Caniato Editorial, é um livro que deve ser lido, discutido. Longe de ser polêmico, é antes de tudo um texto que nos leva à reflexão sobre como seria diferente o processo de aculturamento dos povos indígenas brasileiros, se os homens certos estivessem nos lugares certos.
Romulo Nétto, é jornalista e escritor. Autor dos livros: Contos dos Gerais; Filisberto das Âncoras e As Jagunças (2009). Os Deserdados da Sorte; Transitoriedade, Palavra; Cidades, Ciudades; Tarenço, o Capanga de Lata; Bom-dia, Senhor Presidente; Tatão Malemais, o Capador de Anjos e O Infinito Desespero de Ementério (2010); Não fala comigo! a história de um autista (2011), todos publicados pela Carlini & Caniato Editorial.
sábado, 26 de novembro de 2011
LEITURA
O que é a leitura, senão um dos primeiros sinais de amor de nós pais para com nossos filhos! Li recentemente que o governo federal pretende incentivar as editoras a publicarem livros que poderão ser vendidos por R$ 10,00. Li, também, que o Ministério da Cultura lançará, em breve, um programa destinado à publicação de livros, salvo engano serão empregados, aproximadamente R$ 28.000,000,00, quantia que temos certeza será em sua totalidade abocanhada pelas grandes editoras.
O brasileiro lê pouco. Onde está a raiz do mal? Antigamente, na época em que existiam os cursos primário e o ginasial e as pequenas cidades não possuíam mais do que dois ou três grupos escolares e uma escola estadual que ministrava aulas do primário ao ginasial, cada sala de aula tinha sua pequena prateleira com algumas dezenas de livros e nós, duas vezes por semana, um espaço reservado à leitura.
Foi a partir da alfabetização que tomei conhecimento dos livros de escritores como Perrault (Chapeuzinho Vermelho e A Bela Adormecida); Irmãos Grimm (A Gata Borralheira e Branca de Neve); Charles Dickens (Oliver Twist e David Copperfield); La Fontaine (O Lobo e o Cordeiro ); Esopo (A Lebre e a Tartaruga e O Logo e a Cegonha), sem falar em Monteiro Lobato com As Reinações de Narizinho, O Sítio do Pica-pau Amarelo e Ideias do Jeca Tatu.
Tive uma infância pobre. Pais semianalfabetos. Meu pai era guarda-fios dos Correios e Telégrafos, responsável por fazer o aceiro em determinado trecho da linha telegráfica. Semianalfabeto, mas não era cego ou desleixado com a educação de seus oito filhos. Assinava o jornal Correio da Manhã que demorava quatro dias, do Rio de Janeiro até Paracatu. Ele lia alguns cadernos do jornal e repassava aos filhos. Nem todos se interessavam pelas notícias. Eu ficava contando os minutos esperando o final da tarde, quando ele chegava do trabalho com o exemplar do Correio debaixo do braço.
Sabendo do gosto que tomara pela leitura, em parceria com um dos meus irmãos, comprou a primeira coleção de livros de nossa casa: Tesouro da Juventude, devorei em pouco tempo. Logo depois veio nova coleção intitulada Viagem Através do Brasil. Uma revolução em minha mente de menino que cursava a segunda série do curso ginasial. Um espetáculo inesquecível.
O dinheiro curto e a família grande, fez com que passasse a comprar livros esparsos. Li Gonçalves Dias, Machado de Assis, José de Alencar, Aníbal Machado, Coelho Neto, Bernardo Guimarães, Joaquim Manuel de Macedo e tantos outros.
Não podia ver um livro dando sopa e lá ia eu querendo devorá-lo.
Meu amor pela leitura nasceu em casa. Hoje, grande maioria dos pais, não têm a mínima condição de comprar um livro. A opção entre o pão e a leitura acaba sendo desigual. O pão acaba tendo mais valor. Não posso culpá-los totalmente. A estrutura escolar está mudada. Já não existe tanto incentivo para a leitura e produção de textos, em sala de aula ou como dever escolar.
Mas há outro senão. Os pais que têm condições preferem presentear os filhos com modernos telefones ou com videogames, uma maneira de dar um chega para lá, no filho que muitas vezes só deseja conversar um pouco.. E o pior: muitos até compram livros, os que eles querem que seus rebentos leiam, não aqueles que eles (os filhos) gostariam de escolher. Óbvio que o livro irá para uma estante esperando a poeira chegar.
A concorrência da rede mundial de computadores também fez com que diminuísse o número de leitores. Agora chegou o e-book, mas ele não veio ocupar o lugar do livro impresso, é apenas uma ferramenta a mais e, todas as grandes companhias estão ávidas por colocar à disposição de pretensos futuros leitores o maior número possível de títulos.
Acho que a proposta de incentivar a leitura reduzindo o custo do livro tem que passar primordialmente pela regionalização da publicação. Não acredito que exista empecilho para que o autor mato-grossense, acreano, roraimense ou amapaense seja publicado em seu estado e levado para os grandes centros consumidores. É a forma democrática de distribuir a literatura e, principalmente, a cultura..
Antigamente nos concursos vestibulares havia inclusão de questões sobre história, geografia e literatura regionais. Hoje, acredito que o malfadado Enem jamais colocará uma questão sobre uma obra de autor mato-grossense. E no que se refere à história e geografia nada que não esteja intrinsecamente ligado à pecuária e à produção de grãos.
Monteiro Lobato escreveu: Um País se faz com homens e livros. Acredito piamente nessas sábias palavras e avanço um pouco mais: a leitura é uma das mais importantes ferramentas para que possamos preparar a formação dos homens de amanhã.
O brasileiro lê pouco. Onde está a raiz do mal? Antigamente, na época em que existiam os cursos primário e o ginasial e as pequenas cidades não possuíam mais do que dois ou três grupos escolares e uma escola estadual que ministrava aulas do primário ao ginasial, cada sala de aula tinha sua pequena prateleira com algumas dezenas de livros e nós, duas vezes por semana, um espaço reservado à leitura.
Foi a partir da alfabetização que tomei conhecimento dos livros de escritores como Perrault (Chapeuzinho Vermelho e A Bela Adormecida); Irmãos Grimm (A Gata Borralheira e Branca de Neve); Charles Dickens (Oliver Twist e David Copperfield); La Fontaine (O Lobo e o Cordeiro ); Esopo (A Lebre e a Tartaruga e O Logo e a Cegonha), sem falar em Monteiro Lobato com As Reinações de Narizinho, O Sítio do Pica-pau Amarelo e Ideias do Jeca Tatu.
Tive uma infância pobre. Pais semianalfabetos. Meu pai era guarda-fios dos Correios e Telégrafos, responsável por fazer o aceiro em determinado trecho da linha telegráfica. Semianalfabeto, mas não era cego ou desleixado com a educação de seus oito filhos. Assinava o jornal Correio da Manhã que demorava quatro dias, do Rio de Janeiro até Paracatu. Ele lia alguns cadernos do jornal e repassava aos filhos. Nem todos se interessavam pelas notícias. Eu ficava contando os minutos esperando o final da tarde, quando ele chegava do trabalho com o exemplar do Correio debaixo do braço.
Sabendo do gosto que tomara pela leitura, em parceria com um dos meus irmãos, comprou a primeira coleção de livros de nossa casa: Tesouro da Juventude, devorei em pouco tempo. Logo depois veio nova coleção intitulada Viagem Através do Brasil. Uma revolução em minha mente de menino que cursava a segunda série do curso ginasial. Um espetáculo inesquecível.
O dinheiro curto e a família grande, fez com que passasse a comprar livros esparsos. Li Gonçalves Dias, Machado de Assis, José de Alencar, Aníbal Machado, Coelho Neto, Bernardo Guimarães, Joaquim Manuel de Macedo e tantos outros.
Não podia ver um livro dando sopa e lá ia eu querendo devorá-lo.
Meu amor pela leitura nasceu em casa. Hoje, grande maioria dos pais, não têm a mínima condição de comprar um livro. A opção entre o pão e a leitura acaba sendo desigual. O pão acaba tendo mais valor. Não posso culpá-los totalmente. A estrutura escolar está mudada. Já não existe tanto incentivo para a leitura e produção de textos, em sala de aula ou como dever escolar.
Mas há outro senão. Os pais que têm condições preferem presentear os filhos com modernos telefones ou com videogames, uma maneira de dar um chega para lá, no filho que muitas vezes só deseja conversar um pouco.. E o pior: muitos até compram livros, os que eles querem que seus rebentos leiam, não aqueles que eles (os filhos) gostariam de escolher. Óbvio que o livro irá para uma estante esperando a poeira chegar.
A concorrência da rede mundial de computadores também fez com que diminuísse o número de leitores. Agora chegou o e-book, mas ele não veio ocupar o lugar do livro impresso, é apenas uma ferramenta a mais e, todas as grandes companhias estão ávidas por colocar à disposição de pretensos futuros leitores o maior número possível de títulos.
Acho que a proposta de incentivar a leitura reduzindo o custo do livro tem que passar primordialmente pela regionalização da publicação. Não acredito que exista empecilho para que o autor mato-grossense, acreano, roraimense ou amapaense seja publicado em seu estado e levado para os grandes centros consumidores. É a forma democrática de distribuir a literatura e, principalmente, a cultura..
Antigamente nos concursos vestibulares havia inclusão de questões sobre história, geografia e literatura regionais. Hoje, acredito que o malfadado Enem jamais colocará uma questão sobre uma obra de autor mato-grossense. E no que se refere à história e geografia nada que não esteja intrinsecamente ligado à pecuária e à produção de grãos.
Monteiro Lobato escreveu: Um País se faz com homens e livros. Acredito piamente nessas sábias palavras e avanço um pouco mais: a leitura é uma das mais importantes ferramentas para que possamos preparar a formação dos homens de amanhã.
A COPA É NOSSA! NOSSA?
Pelo que venho lendo tenho a enorme sensação de que os governantes dos estados cujas capitais abrigarão partidas da Copa de 2014 acreditam que a partida está totalmente ganha, mesmo antes de o juiz apitar o início da partida. Muitos acham, ou pelo menos demonstram, que o principal é construir os estádios. O resto é resto. Enganam-se redondamente. O dito pelo pesquisador de Transporte da Universidade de Brasília (UnB), Artur Morais pode ser aplicado a todas as cidades-sede: “o aeroporto [de Brasília] está saturado e obras, como a do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) podem não estar concluídas até lá.” E o pesquisador continua: “o transporte público em Brasília é malfeito, mal planejado e mal operado.”
Exceção feita a Curitiba que possui, a meu ver, o melhor sistema de transporte público brasileiro, as demais cidades estão reprovadas neste importante item para atendimento daqueles que pretendem assistir aos jogos da Copa.
Os aeroportos caóticos. Basta vermos um feriadão. O secretário-geral da FIFA Jérome Valcke disse, recentemente “que era um ‘pesadelo’ viajar na capital paulista: saímos do aeroporto às 8 horas e chegamos ao destino só ao meio-dia...”
O gargalo da Copa de 2014 está mesmo centralizado na infraestrutura e dificilmente o tempo que falta para a realização do evento compromete, em muito, a consecução de todas as obras necessárias.
Incompetência generalizada, pois no dia 30 de outubro de 2007 o mundo inteiro assistiu ao sorteio que escolheu o Brasil como sede da Copa de 2014. Estamos em 2011 e um número sem fim de obras ainda sequer começou.
Quais motivos levaram a Confederação Brasileira de Futebol e o próprio governo brasileiro a ignorar o desejo de investidores da União Europeia em investir pesadamente em obras de infraestrutra para a realização da Copa? Os empresários europeus temiam calote ou temiam que os pedidos de propina reduzissem drasticamente seus lucros? São perguntas para as quais jamais teremos respostas.
Tenho por mim que o custo estipulado para a realização de todas as obras necessárias para que a Copa seja um evento de primeira grandeza será, no mínimo, triplicado.
Os organizadores estão mais preocupados com as brigas entre os clãs do que com a transparência nos gastos. De passagem, não é nenhuma novidade.
Alguns articulistas já mostraram a preocupação com a rede hoteleira, mostrando que em muitas cidades, após a Copa 2014 haverá quebradeira, porque muitos hotéis não conseguirão atingir a cota mínima de ocupação desejável. Citam Manaus como exemplo.
E quanto aos estádios? Qual será o destino dessas luxuosas construções? Arena multiuso. Nome pomposo, para um investimento público de retorno duvidoso. Teremos inúmeros restaurantes! Mas teremos clientela que justifique o arrendamento de cada uma das unidades?
Quantos shows por ano cada estádio abrigará? Temos artistas ou espetáculos que lotarão cada um deles, trazendo o esperado retorno do investimento.
Não quero ser cético, mas acredito que nem em dez gerações o dinheiro empregado será amortizado plenamente.
Quantas cidades-sede possuem times de futebol que levarão trinta mil torcedores por partida? Contamos nos dedos: Grêmio, Internacional, Coritiba, Atlético Paranaense, São Paulo, Corinthians, Palmeira, Santos, Flamengo, Vasco, Fluminense, Botafogo, Bahia, Vitória, Santa Cruz, Santa Cruz, Esporte e Náutico.
Como falar em futebol no Rio Grande do Norte, Amazonas, Brasília e Mato Grosso. O público nestas quatro cidades é vergonhoso. Analisando, sem paixão, a bilheteria não dá para custear a energia gasta em um jogo noturno, quanto mais para amortizar a construção do estádio, isto sem levar em conta que, praticamente, não têm times disputando a Série B do Campeonato Brasileiro, a famosa Segundona, porta de entrada para a elite do Campeonato Nacional.
Oito sedes, como ocorria, eram mais do que suficiente para atender ao calendário da Copa. Inventaram doze para agradar governadores, se esquecendo que somos nós, o povo, os responsáveis pelo pagamento da despesa.
Para que o fracasso não seja maior o Governo Federal terá que investir maciçamente na atração de turistas pós realização da Copa do Mundo de 2014, a salvação de estados como Rio Grande do Norte, Amazonas e Mato Grosso para gerar renda e impostos suficientes para cobrir o investimento empregado nas obras de infraestrutura e construção de estádios.
Resta-me torcer para que a seleção brasileira não repita o vexame de 1950. Diga-se de passagem que poderemos até ostentar o título de País do futebol, mas já não reinamos absolutos em primeiro lugares, livres de concorrentes. O exemplo foi dado no Gabão e no Egito, míseros dois a zero, em seleções que há vinte anos praticamente inexistiam. Para nos livrar do vexame talvez fosse melhor convocar a seleção da Marta, Cristiane e Formiga, acho que a meninas brilhariam muito mais.
Em outra oportunidade voltaremos a falar sobre a realização da Copa de 2014, pois o povo sonha muito mais com a possibilidade da geração de emprego e renda do que com a seleção brasileira hexa campeã..
Romulo Nétto é jornalista e escritor, autor de onze livros, editados pela Carlini & Caniato Editorial
Exceção feita a Curitiba que possui, a meu ver, o melhor sistema de transporte público brasileiro, as demais cidades estão reprovadas neste importante item para atendimento daqueles que pretendem assistir aos jogos da Copa.
Os aeroportos caóticos. Basta vermos um feriadão. O secretário-geral da FIFA Jérome Valcke disse, recentemente “que era um ‘pesadelo’ viajar na capital paulista: saímos do aeroporto às 8 horas e chegamos ao destino só ao meio-dia...”
O gargalo da Copa de 2014 está mesmo centralizado na infraestrutura e dificilmente o tempo que falta para a realização do evento compromete, em muito, a consecução de todas as obras necessárias.
Incompetência generalizada, pois no dia 30 de outubro de 2007 o mundo inteiro assistiu ao sorteio que escolheu o Brasil como sede da Copa de 2014. Estamos em 2011 e um número sem fim de obras ainda sequer começou.
Quais motivos levaram a Confederação Brasileira de Futebol e o próprio governo brasileiro a ignorar o desejo de investidores da União Europeia em investir pesadamente em obras de infraestrutra para a realização da Copa? Os empresários europeus temiam calote ou temiam que os pedidos de propina reduzissem drasticamente seus lucros? São perguntas para as quais jamais teremos respostas.
Tenho por mim que o custo estipulado para a realização de todas as obras necessárias para que a Copa seja um evento de primeira grandeza será, no mínimo, triplicado.
Os organizadores estão mais preocupados com as brigas entre os clãs do que com a transparência nos gastos. De passagem, não é nenhuma novidade.
Alguns articulistas já mostraram a preocupação com a rede hoteleira, mostrando que em muitas cidades, após a Copa 2014 haverá quebradeira, porque muitos hotéis não conseguirão atingir a cota mínima de ocupação desejável. Citam Manaus como exemplo.
E quanto aos estádios? Qual será o destino dessas luxuosas construções? Arena multiuso. Nome pomposo, para um investimento público de retorno duvidoso. Teremos inúmeros restaurantes! Mas teremos clientela que justifique o arrendamento de cada uma das unidades?
Quantos shows por ano cada estádio abrigará? Temos artistas ou espetáculos que lotarão cada um deles, trazendo o esperado retorno do investimento.
Não quero ser cético, mas acredito que nem em dez gerações o dinheiro empregado será amortizado plenamente.
Quantas cidades-sede possuem times de futebol que levarão trinta mil torcedores por partida? Contamos nos dedos: Grêmio, Internacional, Coritiba, Atlético Paranaense, São Paulo, Corinthians, Palmeira, Santos, Flamengo, Vasco, Fluminense, Botafogo, Bahia, Vitória, Santa Cruz, Santa Cruz, Esporte e Náutico.
Como falar em futebol no Rio Grande do Norte, Amazonas, Brasília e Mato Grosso. O público nestas quatro cidades é vergonhoso. Analisando, sem paixão, a bilheteria não dá para custear a energia gasta em um jogo noturno, quanto mais para amortizar a construção do estádio, isto sem levar em conta que, praticamente, não têm times disputando a Série B do Campeonato Brasileiro, a famosa Segundona, porta de entrada para a elite do Campeonato Nacional.
Oito sedes, como ocorria, eram mais do que suficiente para atender ao calendário da Copa. Inventaram doze para agradar governadores, se esquecendo que somos nós, o povo, os responsáveis pelo pagamento da despesa.
Para que o fracasso não seja maior o Governo Federal terá que investir maciçamente na atração de turistas pós realização da Copa do Mundo de 2014, a salvação de estados como Rio Grande do Norte, Amazonas e Mato Grosso para gerar renda e impostos suficientes para cobrir o investimento empregado nas obras de infraestrutura e construção de estádios.
Resta-me torcer para que a seleção brasileira não repita o vexame de 1950. Diga-se de passagem que poderemos até ostentar o título de País do futebol, mas já não reinamos absolutos em primeiro lugares, livres de concorrentes. O exemplo foi dado no Gabão e no Egito, míseros dois a zero, em seleções que há vinte anos praticamente inexistiam. Para nos livrar do vexame talvez fosse melhor convocar a seleção da Marta, Cristiane e Formiga, acho que a meninas brilhariam muito mais.
Em outra oportunidade voltaremos a falar sobre a realização da Copa de 2014, pois o povo sonha muito mais com a possibilidade da geração de emprego e renda do que com a seleção brasileira hexa campeã..
Romulo Nétto é jornalista e escritor, autor de onze livros, editados pela Carlini & Caniato Editorial
A DOENÇA DO EX-PRESIDENTE
Tudo bem você não gostar de uma pessoa. Tudo bem se você não gostar de políticos. A gente já está cansada da inutilidade deles. Mas chegar ao cúmulo de desejar a morte de um político após constatar um câncer na laringe chega às raias da ignorância.
Não gosto do senhor Luiz Inácio Lula da Silva. Nunca gostei. Não votei nele. Se candidatar não votarei. Mas meus olhos e ouvidos permitem ver e ouvir o que de bom ele fez. Confesso que seria hipócrita acreditar que ele fez tudo sozinho, esquecendo que o início da virada começou no governo Itamar Franco, após os desastrosos José Sarney e Fernando Collor. Os dois incompetentes quase levaram o País à ruína.
Com o lançamento do Plano Real foi dada a partida para que a economia começasse a crescer.
Houve erros? Sim! inúmeros. Muita roubalheira nas privatizações e nas emendas parlamentares. Mas não vivemos no País onde se admite abertamente, em alto e bom som: “ele rouba, mas faz!” É quase uma instituição nacional.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi correto? Lógico que não. Enquanto presidente da República ele tinha que manter distância da disputa entre os candidatos à sua sucessão e não o fez. Agiu de má fé jogando todo o peso da máquina administrativa pública com o intuito único de fazer de Dilma Rousseff sua sucessora. Conseguiu, mesmo sem meu voto.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o terceiro membro da família a ter um câncer de laringe diagnosticado. Não é motivo para soltar foguete. Pelo contrário. Devemos sabê-lo saudável, quem sabe infligindo fragorosa derrota a seu candidato nas próximas eleições. Devemos pensar em enterrá-lo politicamente, não fisicamente. Ninguém morre de véspera. Não deixemos que o câncer o transforme em mártir. Ele é tão humano quanto nós, só que mais rico e mais poderoso.
Aos sessenta e cinco anos tenho muitas coisas que ele não tem e dificilmente terá: paz de espírito, instrução, educação, amigos desinteressados, relativa saúde.
Vamos torcer para que o tratamento quimioterápico seja coroado de êxito e que o radioterápico complete o trabalho.
Ele não merece o tratamento postado por milhares de usuários das redes sociais. Deixem-no em paz. Só o susto de saber-se doente. De saber que ele tem grande parte da culpa desse câncer ter aparecido (tabaco e álcool) deve tê-lo consumido nesses dois primeiros dias...
Ninguém morre de véspera. E o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva não será o primeiro.
Deixemos que ele curta em paz sua aposentadoria presidencial e que não volte a nos perturbar nos próximos anos. Porém, não podemos nos esquecer que ele deu continuidade a inúmeros bons projetos idealizados por seus antecessores. A criança é linda, aí ele gritou: eu sou o pai.
Em seus oito anos de governo ele fez alguma coisa boa. Com Fernando Henrique Cardoso os pobres começaram a usar dentadura e comer pé de frango. O ex-presidente foi mais sofisticado aumentou o rendimento dos programas sociais e as famílias puderam iniciar a compra frenética de eletro-eletrônicos, se endividando até não mais conseguir pagar as contas. Aprendeu que pagando regularmente a conta do boteco da esquina, poderia beber tranquilamente seu corote de pinga.
Abriu as portas das universidades para os pobres, mas apenas para os cursos em que há mais vaga do que candidato. Criou escolas técnicas, institutos federais de educação e prazerosamente se esqueceu de equipar as universidades federais com recursos humanos de boa qualidade, abolindo quase de vez os concursos para professores e técnicos administrativos efetivos. Entupiu as universidades de prédios e equipamentos, bem assim de professores substitutos, servidores terceirizados e estagiários.
Nem por isso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva merece o tratamento carregado de maldades, exigindo que ele vá se tratar no Sistema Único de Saúde. Ora todos nós sabemos que os planos de saúde aos quais milhões de brasileiros pagam caríssimos mensalmente não são tão melhores que o SUS.
Acredito que, como ex-presidente, ele deva ter seus privilégios. Infelizmente no momento falta-lhe a saúde, o bem maior de todos nós. Vamos torcer para que ele se recupere. Vamos torcer para que ele lidere a luta que culmine com a diminuição da corrupção em todos os setores da sociedade, principalmente na política. Vamos torcer para que ele dê o exemplo condenando os que se escondem por detrás de um cargo político para fugir do rigor da lei.
Não gosto do senhor Luiz Inácio Lula da Silva. Nunca gostei. Não votei nele. Se candidatar não votarei. Mas meus olhos e ouvidos permitem ver e ouvir o que de bom ele fez. Confesso que seria hipócrita acreditar que ele fez tudo sozinho, esquecendo que o início da virada começou no governo Itamar Franco, após os desastrosos José Sarney e Fernando Collor. Os dois incompetentes quase levaram o País à ruína.
Com o lançamento do Plano Real foi dada a partida para que a economia começasse a crescer.
Houve erros? Sim! inúmeros. Muita roubalheira nas privatizações e nas emendas parlamentares. Mas não vivemos no País onde se admite abertamente, em alto e bom som: “ele rouba, mas faz!” É quase uma instituição nacional.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi correto? Lógico que não. Enquanto presidente da República ele tinha que manter distância da disputa entre os candidatos à sua sucessão e não o fez. Agiu de má fé jogando todo o peso da máquina administrativa pública com o intuito único de fazer de Dilma Rousseff sua sucessora. Conseguiu, mesmo sem meu voto.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o terceiro membro da família a ter um câncer de laringe diagnosticado. Não é motivo para soltar foguete. Pelo contrário. Devemos sabê-lo saudável, quem sabe infligindo fragorosa derrota a seu candidato nas próximas eleições. Devemos pensar em enterrá-lo politicamente, não fisicamente. Ninguém morre de véspera. Não deixemos que o câncer o transforme em mártir. Ele é tão humano quanto nós, só que mais rico e mais poderoso.
Aos sessenta e cinco anos tenho muitas coisas que ele não tem e dificilmente terá: paz de espírito, instrução, educação, amigos desinteressados, relativa saúde.
Vamos torcer para que o tratamento quimioterápico seja coroado de êxito e que o radioterápico complete o trabalho.
Ele não merece o tratamento postado por milhares de usuários das redes sociais. Deixem-no em paz. Só o susto de saber-se doente. De saber que ele tem grande parte da culpa desse câncer ter aparecido (tabaco e álcool) deve tê-lo consumido nesses dois primeiros dias...
Ninguém morre de véspera. E o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva não será o primeiro.
Deixemos que ele curta em paz sua aposentadoria presidencial e que não volte a nos perturbar nos próximos anos. Porém, não podemos nos esquecer que ele deu continuidade a inúmeros bons projetos idealizados por seus antecessores. A criança é linda, aí ele gritou: eu sou o pai.
Em seus oito anos de governo ele fez alguma coisa boa. Com Fernando Henrique Cardoso os pobres começaram a usar dentadura e comer pé de frango. O ex-presidente foi mais sofisticado aumentou o rendimento dos programas sociais e as famílias puderam iniciar a compra frenética de eletro-eletrônicos, se endividando até não mais conseguir pagar as contas. Aprendeu que pagando regularmente a conta do boteco da esquina, poderia beber tranquilamente seu corote de pinga.
Abriu as portas das universidades para os pobres, mas apenas para os cursos em que há mais vaga do que candidato. Criou escolas técnicas, institutos federais de educação e prazerosamente se esqueceu de equipar as universidades federais com recursos humanos de boa qualidade, abolindo quase de vez os concursos para professores e técnicos administrativos efetivos. Entupiu as universidades de prédios e equipamentos, bem assim de professores substitutos, servidores terceirizados e estagiários.
Nem por isso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva merece o tratamento carregado de maldades, exigindo que ele vá se tratar no Sistema Único de Saúde. Ora todos nós sabemos que os planos de saúde aos quais milhões de brasileiros pagam caríssimos mensalmente não são tão melhores que o SUS.
Acredito que, como ex-presidente, ele deva ter seus privilégios. Infelizmente no momento falta-lhe a saúde, o bem maior de todos nós. Vamos torcer para que ele se recupere. Vamos torcer para que ele lidere a luta que culmine com a diminuição da corrupção em todos os setores da sociedade, principalmente na política. Vamos torcer para que ele dê o exemplo condenando os que se escondem por detrás de um cargo político para fugir do rigor da lei.
CÉU E INFERNO
Uma morna manhã, antes de dar continuidade às minhas pretensões literárias, resolvi, momentaneamente, deixar de lado o oitavo capítulo de A Revolta dos Livros e me pus a pensar com meus botões: existe céu? Existe inferno?
De acordo com os evangélicos existe sim e um lugar lá é vendido em suaves prestações dominicais. Hoje, até com a comodidade do pagamento ser feito através de boletos ou cartões de crédito.
A Igreja Católica afirma que existe sim e somente os bons, os puros de coração sentarão ao lado do Senhor, mas não exige pagamento. Contribui quem quer ou pode.
Nessa linha de raciocínio o inferno também existe. Quem não contribui com o dízimo ou pratica o mal vai para o inferno. Alguns mais depressa que outros. Uns até compram o lugar no inferno negociando a vaga com o capeta, barganhando a alma por alguma benesse aqui na terra.
No céu, de uns tempos para cá, não deve existir mais uma vaga. Já venderam até o enésimo andar. Também pudera, com as facilidades de pagar o dízimo com cartão de crédito qualquer pobre arrisca comprar seu lugar, afinal eles também é filho de Deus.
Eu não acredito no céu, nem no inferno. Desde que o homem apareceu na face da terra (aliás homem ou macaco, pois que Adão e Eva não deviam ser agraciados com a beleza física, tão comum nos dias atuais) milhões de pessoas nasceram e morreram. Suponhamos que os mortos, desde o aparecimento do Homo sapiens, sejam duzentos milhões. Dividamos irmãmente esses mortos. Metade foi para o inferno, metade foi para o céu. Se o céu é tão bom como apregoam pastores e padres, nenhuma alma apareceu para nos contar sobre as belezas do lugar, ninguém foi convidado para ir lá e voltar apregoando o mundo de paz existente.
O que dizer então do inferno? Será que o capeta-chefe colocou grades intransponíveis sobre muros evitando fuga em massa? Os mortos do inferno estão todos em celas gigantescas pagando pelos crimes que cometeram em vida?
Quero acreditar que existe céu e inferno e um e outro coexistem pacificamente num lugar chamado Terra. Ainda assim permanece a dúvida que não sai da cabeça: qual o motivo de uns nascerem cegos, surdos, paralíticos, feios e outros bonitos, saudáveis e ricos? Qual motivo leva um ser humano, que ajuda seu semelhante padecer, anos e anos, sem assistência, num casebre qualquer, e o político que roubou da educação, da saúde, destinou dinheiro para construção de estradas, que depois da primeira chuva se enchem de buracos provocando acidentes que causam a morte de dezenas de pessoas, deita, dorme e morre de um infarto fulminante, praticamente sem sentir dor?
Há até uma anedota que traduz bem o que descrevi acima. Um velhinho morreu e foi prestar contas ao Senhor. Chegando no “céu” ele não se fez de rogado, foi logo desfiando seu colar de perguntas. Meu bom Deus porque o Senhor colocou terremotos no Chile, na Guatemala, na China, no Japão, na Turquia, tsunamis em Bali, no Japão, enchentes na China, no Peru, nos Estados Unidos, tempestades de neve na Europa e na Ásia, vulcões na Itália, Chile, Havaí e no Brasil o Senhor não colocou nada. Não temos terremotos, as enchentes são de pouca monta, não temos vulcões, tempestades de neve. Engana-se meu filho. No Brasil eu coloquei para compensar os políticos...
Mas o melhor mesmo é deixar padres e pastores digladiarem sobre a existência do céu e do inferno. A única coisa que tenho certeza é que meu cartão de crédito não está disponível para pagamento de qualquer espécie de dízimo.
E como diria o caipira mineiro ao ser perguntado sobre onde fica o céu. Ele aponta com o indicador, logo ali, seis léguas depois daquele morro. E o inferno? Logo depois, na primeira esquina depois do céu.
De acordo com os evangélicos existe sim e um lugar lá é vendido em suaves prestações dominicais. Hoje, até com a comodidade do pagamento ser feito através de boletos ou cartões de crédito.
A Igreja Católica afirma que existe sim e somente os bons, os puros de coração sentarão ao lado do Senhor, mas não exige pagamento. Contribui quem quer ou pode.
Nessa linha de raciocínio o inferno também existe. Quem não contribui com o dízimo ou pratica o mal vai para o inferno. Alguns mais depressa que outros. Uns até compram o lugar no inferno negociando a vaga com o capeta, barganhando a alma por alguma benesse aqui na terra.
No céu, de uns tempos para cá, não deve existir mais uma vaga. Já venderam até o enésimo andar. Também pudera, com as facilidades de pagar o dízimo com cartão de crédito qualquer pobre arrisca comprar seu lugar, afinal eles também é filho de Deus.
Eu não acredito no céu, nem no inferno. Desde que o homem apareceu na face da terra (aliás homem ou macaco, pois que Adão e Eva não deviam ser agraciados com a beleza física, tão comum nos dias atuais) milhões de pessoas nasceram e morreram. Suponhamos que os mortos, desde o aparecimento do Homo sapiens, sejam duzentos milhões. Dividamos irmãmente esses mortos. Metade foi para o inferno, metade foi para o céu. Se o céu é tão bom como apregoam pastores e padres, nenhuma alma apareceu para nos contar sobre as belezas do lugar, ninguém foi convidado para ir lá e voltar apregoando o mundo de paz existente.
O que dizer então do inferno? Será que o capeta-chefe colocou grades intransponíveis sobre muros evitando fuga em massa? Os mortos do inferno estão todos em celas gigantescas pagando pelos crimes que cometeram em vida?
Quero acreditar que existe céu e inferno e um e outro coexistem pacificamente num lugar chamado Terra. Ainda assim permanece a dúvida que não sai da cabeça: qual o motivo de uns nascerem cegos, surdos, paralíticos, feios e outros bonitos, saudáveis e ricos? Qual motivo leva um ser humano, que ajuda seu semelhante padecer, anos e anos, sem assistência, num casebre qualquer, e o político que roubou da educação, da saúde, destinou dinheiro para construção de estradas, que depois da primeira chuva se enchem de buracos provocando acidentes que causam a morte de dezenas de pessoas, deita, dorme e morre de um infarto fulminante, praticamente sem sentir dor?
Há até uma anedota que traduz bem o que descrevi acima. Um velhinho morreu e foi prestar contas ao Senhor. Chegando no “céu” ele não se fez de rogado, foi logo desfiando seu colar de perguntas. Meu bom Deus porque o Senhor colocou terremotos no Chile, na Guatemala, na China, no Japão, na Turquia, tsunamis em Bali, no Japão, enchentes na China, no Peru, nos Estados Unidos, tempestades de neve na Europa e na Ásia, vulcões na Itália, Chile, Havaí e no Brasil o Senhor não colocou nada. Não temos terremotos, as enchentes são de pouca monta, não temos vulcões, tempestades de neve. Engana-se meu filho. No Brasil eu coloquei para compensar os políticos...
Mas o melhor mesmo é deixar padres e pastores digladiarem sobre a existência do céu e do inferno. A única coisa que tenho certeza é que meu cartão de crédito não está disponível para pagamento de qualquer espécie de dízimo.
E como diria o caipira mineiro ao ser perguntado sobre onde fica o céu. Ele aponta com o indicador, logo ali, seis léguas depois daquele morro. E o inferno? Logo depois, na primeira esquina depois do céu.
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
COINCIDÊNCIAS?...
COINCIDÊNCIAS: 11.9.73 (SALVADOR ALLENDE – 11.9.01 (TORRES GÊMEAS)
Muita gente pensa que é tarde para escrever ou falar sobre 11 de setembro. Não queremos escrever sobre um 11 de setembro. Aquele que destruiu as Torres Gêmeas, em Nova Iorque. Mas de dois.
Os dois onze de setembro mudaram radicalmente a vida de dois países.
O “suicídio” de Salvador Allende patrocinado pelo governo de Richard Nixon veio nos mostrar que qualquer país que não rezasse pela cartilha norte-americana poderia ser invadido em nome da luta contra a expansão do comunismo.
A América do Norte – senhora do mundo – já implantara a ditadura militar no Brasil, em 31 de março de 1964. A Redentora castrou todas nossas lideranças. Não sobrou uma para contar a história. Até hoje sentimos falta de um líder capaz de conduzir o Brasil ao lugar que ele merece. Não desejamos falar do hepta doutor honoris causa que não sabe distinguir tatame de tapume. Vamos deixá-lo sossegado saboreando sua 51 envelhecida.
Voltemos ao um passado mais remoto. Não satisfeitos os americanos com a implantação da Revolução Argentina, em um golpe de Estado contra o então presidente Arturo Illia, no dia 28 de junho de 1966, a América do Norte volta os olhos para o Chile provocando a derrubada de Salvador Allende,. A América do Sul transformava-se no quintal dos Estados Unidos.
A miopia mental do governo Nixon impedia a visão de que o Chile era um país que dependia exclusivamente de sua única riqueza: a exploração e exportação do minério de cobre. Que perigo poderia o governo Allende representar para o resto do mundo? Em termos econômicos nenhum. Em termos militares, menos ainda. É que os donos do poder da América do Norte precisavam vender armas e quando a exportação caía precisavam provocar uma guerra em qualquer canto do mundo e assim satisfazer os altos executivos das grandes empresas. E eles continuam servindo aos dois senhores: governos e rebeldes. Vendem armas para o talibã e para o governo, repete as ações na Líbia, na Somália, no Iraque e onde exista alguém disposto a comprar sua mercadoria.
Não foi diferente na Argentina, bem assim no Brasil.
Até hoje os documentos que poderiam comprovar a barbárie cometida pelas ditaduras militares nos três países estão engavetadas, como se nós não pudéssemos chorar e enterrar nossos mortos.
No onze de setembro de 1973 assistimos ao “suicídio” involuntário de Salvador Allende.
No onze de setembro de 2001, fundamentalistas mulçumanos, que talvez jamais tenham sequer ouvido falar que existia um país latino-americano, deram o troco à maior potência bélica do mundo: esfarelaram o World Trade Center, deixando o mundo indignado com o atrevimento da ação terrorista.
Centenas de vidas foram sacrificadas. Mas quantas centenas de vidas foram sacrificadas nos golpes militares do Brasil, Chile e Argentina.
A América do Norte não teve, não tem e não terá o respeito pela liberdade de qualquer ser humano que ela sonhe ser um inimigo. Pode até ser que outros 11 de setembro estejam rondando os céus americanos.
Muita gente pensa que é tarde para escrever ou falar sobre 11 de setembro. Não queremos escrever sobre um 11 de setembro. Aquele que destruiu as Torres Gêmeas, em Nova Iorque. Mas de dois.
Os dois onze de setembro mudaram radicalmente a vida de dois países.
O “suicídio” de Salvador Allende patrocinado pelo governo de Richard Nixon veio nos mostrar que qualquer país que não rezasse pela cartilha norte-americana poderia ser invadido em nome da luta contra a expansão do comunismo.
A América do Norte – senhora do mundo – já implantara a ditadura militar no Brasil, em 31 de março de 1964. A Redentora castrou todas nossas lideranças. Não sobrou uma para contar a história. Até hoje sentimos falta de um líder capaz de conduzir o Brasil ao lugar que ele merece. Não desejamos falar do hepta doutor honoris causa que não sabe distinguir tatame de tapume. Vamos deixá-lo sossegado saboreando sua 51 envelhecida.
Voltemos ao um passado mais remoto. Não satisfeitos os americanos com a implantação da Revolução Argentina, em um golpe de Estado contra o então presidente Arturo Illia, no dia 28 de junho de 1966, a América do Norte volta os olhos para o Chile provocando a derrubada de Salvador Allende,. A América do Sul transformava-se no quintal dos Estados Unidos.
A miopia mental do governo Nixon impedia a visão de que o Chile era um país que dependia exclusivamente de sua única riqueza: a exploração e exportação do minério de cobre. Que perigo poderia o governo Allende representar para o resto do mundo? Em termos econômicos nenhum. Em termos militares, menos ainda. É que os donos do poder da América do Norte precisavam vender armas e quando a exportação caía precisavam provocar uma guerra em qualquer canto do mundo e assim satisfazer os altos executivos das grandes empresas. E eles continuam servindo aos dois senhores: governos e rebeldes. Vendem armas para o talibã e para o governo, repete as ações na Líbia, na Somália, no Iraque e onde exista alguém disposto a comprar sua mercadoria.
Não foi diferente na Argentina, bem assim no Brasil.
Até hoje os documentos que poderiam comprovar a barbárie cometida pelas ditaduras militares nos três países estão engavetadas, como se nós não pudéssemos chorar e enterrar nossos mortos.
No onze de setembro de 1973 assistimos ao “suicídio” involuntário de Salvador Allende.
No onze de setembro de 2001, fundamentalistas mulçumanos, que talvez jamais tenham sequer ouvido falar que existia um país latino-americano, deram o troco à maior potência bélica do mundo: esfarelaram o World Trade Center, deixando o mundo indignado com o atrevimento da ação terrorista.
Centenas de vidas foram sacrificadas. Mas quantas centenas de vidas foram sacrificadas nos golpes militares do Brasil, Chile e Argentina.
A América do Norte não teve, não tem e não terá o respeito pela liberdade de qualquer ser humano que ela sonhe ser um inimigo. Pode até ser que outros 11 de setembro estejam rondando os céus americanos.
sábado, 3 de setembro de 2011
UMA MELODIA HISTÓRICA - O RESGATE DA VIOLA DE COCHO
Grata surpresa encontrar em minha caixa de correspondência o prometido e tão esperado exemplar de Uma melodia histórica. Li aos poucos, economizando páginas, pois queria saborear o livro como saboreamos uma boa comida. Tal e qual. Aos poucos fui percebendo os motivos que levaram Abel Santos Anjos Filho, mineiro de Uberaba, a se aprofundar em seus estudos sobre a Viola de Cocho, instrumento tradicional da cultura popular mato-grossense. Ela remonta a dezenas de séculos, vinda talvez do Oriente Médio, com passagem importante pelas terras portuguesas até chegar às barrancas do rio Cuiabá, de onde nunca mais saiu.
Se, por um lado, desvendar os mistérios da Viola de Cocho causou imensa alegria, por outro há um sentimento de perda que não consegue aquietar-me. Os jovens, mesmo os ribeirinhos, me parece, não estão preocupados em dar continuidade ao que seus antepassados cultuaram com amor por séculos. O cocho, renegado pela elite dominante como instrumento de pobre e para o pobre, foi durante o período colonial o objeto maior do lazer de inúmeras famílias de ribeirinhos que não só aprenderam a fabricá-lo como se tornaram exímios instrumentistas.
Hoje a Viola de Cocho não encontra adeptos entre os jovens, seja para tocá-la, seja para construí-la.
Abel Santos Anjos Filho veio do Triângulo Mineiro e logo saiu em defesa do instrumento mais significativo da cultura popular mato-grossense. E o fez com brilho, arte e a sensibilidade que só os que realmente amam a música ousam fazer.
Infelizmente como a grande maioria dos apaixonados pelo belo que não tem a sua mesma origem Abel Santos Anjos Filho quase foi crucificado pela cuiabania que, injustamente, o acusou de tentar roubar seu símbolo maior. Nada mais falso e enganoso. Ele veio resgatar um instrumento que, sem sua ousadia, eu arriscaria dizer estava fadado ao esquecimento. Mais que isso. Abel Santos Anjos Filho fez renascer em muita gente o desejo de que esse instrumento talhado a suor e sangue ressurgisse das cinzas e alçasse voo como se valesse das longas asas do tuiuiú indo pousar suavemente nas entranhas da principal orquestra do estado de Mato Grosso.
A tendência natural agora é correr o mundo mostrando que o passado pode muito bem coabitar com o presente e o futuro.
Mato Grosso tem uma dívida impagável com o historiador e pesquisador da Viola de Cocho, Abel Santos Anjos Filho e tenho como certo que ele jamais a cobrará, porque seu amor pelo instrumento é muito maior que o apego às coisas mundanas. Entretanto o estado não pode simplesmente fechar os olhos não reconhecendo no professor, que atravessou o Atlântico para pesquisar a Viola de Cocho em terras lusitanas e de lá voltou com a certeza de que a raízes fincadas em Portugal são as mesmas raízes que levaram um ribeirinho cuiabano a fabricar a primeira Viola de Cocho em terras mato-grossenses, é o maior responsável pelo resgate histórico do instrumento que, esperamos, por muito tempo perdure alegrando a rica cultura popular mato-grossense. A Viola de Cocho é, sem sombra de dúvidas, o coração das principais manifestações populares de Mato Grosso. Ela está presente no boi à serra, no cururu e no siriri. Deixou de ser simplesmente mato-grossense para assumir sua universalidade no toque suave e harmonioso que Abel Santos Anjos Filho imprimiu e que a Orquestra do Estado de Mato Grosso soube reconhecer e aproveitar.
O instrumento continua recebendo a atenção da camada mais pobre da população – a ribeirinha – que não renega o filho, para muitos um quase bastardo.
Quem sabe um dia os “intelectuais” volvam os olhos para o passado e abracem a causa tão bravamente defendida por Abel Santos Anjos Filho colocando, definitivamente, a Viola de Cocho em seu devido lugar.
Por Romulo Netto - jornalista e escritor.
Se, por um lado, desvendar os mistérios da Viola de Cocho causou imensa alegria, por outro há um sentimento de perda que não consegue aquietar-me. Os jovens, mesmo os ribeirinhos, me parece, não estão preocupados em dar continuidade ao que seus antepassados cultuaram com amor por séculos. O cocho, renegado pela elite dominante como instrumento de pobre e para o pobre, foi durante o período colonial o objeto maior do lazer de inúmeras famílias de ribeirinhos que não só aprenderam a fabricá-lo como se tornaram exímios instrumentistas.
Hoje a Viola de Cocho não encontra adeptos entre os jovens, seja para tocá-la, seja para construí-la.
Abel Santos Anjos Filho veio do Triângulo Mineiro e logo saiu em defesa do instrumento mais significativo da cultura popular mato-grossense. E o fez com brilho, arte e a sensibilidade que só os que realmente amam a música ousam fazer.
Infelizmente como a grande maioria dos apaixonados pelo belo que não tem a sua mesma origem Abel Santos Anjos Filho quase foi crucificado pela cuiabania que, injustamente, o acusou de tentar roubar seu símbolo maior. Nada mais falso e enganoso. Ele veio resgatar um instrumento que, sem sua ousadia, eu arriscaria dizer estava fadado ao esquecimento. Mais que isso. Abel Santos Anjos Filho fez renascer em muita gente o desejo de que esse instrumento talhado a suor e sangue ressurgisse das cinzas e alçasse voo como se valesse das longas asas do tuiuiú indo pousar suavemente nas entranhas da principal orquestra do estado de Mato Grosso.
A tendência natural agora é correr o mundo mostrando que o passado pode muito bem coabitar com o presente e o futuro.
Mato Grosso tem uma dívida impagável com o historiador e pesquisador da Viola de Cocho, Abel Santos Anjos Filho e tenho como certo que ele jamais a cobrará, porque seu amor pelo instrumento é muito maior que o apego às coisas mundanas. Entretanto o estado não pode simplesmente fechar os olhos não reconhecendo no professor, que atravessou o Atlântico para pesquisar a Viola de Cocho em terras lusitanas e de lá voltou com a certeza de que a raízes fincadas em Portugal são as mesmas raízes que levaram um ribeirinho cuiabano a fabricar a primeira Viola de Cocho em terras mato-grossenses, é o maior responsável pelo resgate histórico do instrumento que, esperamos, por muito tempo perdure alegrando a rica cultura popular mato-grossense. A Viola de Cocho é, sem sombra de dúvidas, o coração das principais manifestações populares de Mato Grosso. Ela está presente no boi à serra, no cururu e no siriri. Deixou de ser simplesmente mato-grossense para assumir sua universalidade no toque suave e harmonioso que Abel Santos Anjos Filho imprimiu e que a Orquestra do Estado de Mato Grosso soube reconhecer e aproveitar.
O instrumento continua recebendo a atenção da camada mais pobre da população – a ribeirinha – que não renega o filho, para muitos um quase bastardo.
Quem sabe um dia os “intelectuais” volvam os olhos para o passado e abracem a causa tão bravamente defendida por Abel Santos Anjos Filho colocando, definitivamente, a Viola de Cocho em seu devido lugar.
Por Romulo Netto - jornalista e escritor.
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